iPod School

Siri fala português, mas continua parada no tempo

André BazagliaAndré Bazaglia

É oficial: A Siri fala português do Brasil. O Cortana, assistente de voz da Microsoft, perdeu a batalha de qual empresa seria mais lerda para portar seu assistente de voz ao nosso idioma e não é mais um concorrente direto da Siri no quesito suporte ao português. Pelo menos por enquanto –– com a chegada do Windows 10 o português também chegará ao Cortana. Já o Android, com o Google Now, conta com suporte ao português já faz um tempinho. A Apple foi a primeira a dar um grande passo em assistentes virtuais, mas uma das últimas quando levamos em consideração a expansão de funcionalidades. Pois bem, a partir de hoje, a Siri finalmente fala português. A novidade não chegou à todos os usuários (ainda) por ter sido incluída em uma versão beta do iOS 8.3, mas o iminente lançamento público do iOS 8.3 tornará a novidade global: todos os usuários, brasileiros ou não, terão a opção de usar a Siri em português.

Foram necessários 4 anos desde o lançamento da primeira versão da Siri para a Apple implementar a voz em português em sua assistente. Até lá, contudo, ao longo deste caminho, pequenos novos recursos e outros novos idiomas foram adicionados à assistente de voz virtual. Foi tempo o suficiente para o Google Now e o Cortana se consolidarem no mercado como opções a nível da Siri.

O que falta na Siri?

A Siri responde perguntas, na maioria das vezes, conforme o esperado pelo usuário. Quando pedimos para ela realizar ações simples, ela também realiza. Dependendo da ação, quando ela não pode fazer isso (por se tratar de um recurso não implementado pela Apple), ela responde que não pode fazer o que o usuário solicitou. É um comportamento bastante comum, esperado, e a navegação limitada não trouxe revolução alguma nestes anos todos. Usar a Siri é, na maioria das vezes, muito mais lento e menos prático do que realizar ações manualmente no iOS, salvo casos onde o uso das mãos é limitado (a exemplo de situações onde o usuário está dirigindo e é mais conveniente realizar um comando por voz).

O grande ponto chave da Siri – na minha visão – e que ainda não foi explorado pela Apple é a sua capacidade de realizar tarefas complexas a partir de comandos simples. Oras, a interface gráfica por meio de interações em toques é bastante limitada. Comandos como “Encontre um bom jogo para mim na App Store”, “Preciso editar uma foto, indique-me um aplicativo gratuito para isso” ou “No caminho da casa do meu irmão, preciso comprar um vinho barato que desça bem com lasanha” muito dificilmente seriam viáveis via interface gráfica, mas seriam maravilhosos se pudessem ser feitos através da interação por voz com uma assistente virtual. Felizmente, os fundadores de uma startup bastante discreta, mas possivelmente revolucionária, chamada Viv Labs — Adam Cheyer, Dag Kittlaus e Chris Brigham — estão desenvolvendo um assistente de voz parecido com a Siri, mas revolucionário de verdade. A missão é: prever e satisfazer nossos desejos. No exemplo da necessidade de comprar um vinho barato que combine com uma lasanha, o assistente seria inteligente a ponto de identificar três pontos chaves: lasanha é uma comida. Irmão é um relacionamento. E “casa” é um tipo de endereço. Os ingredientes da lasanha seriam identificados, os dados do irmão seriam encontrados e, a partir daí, as informações seriam cruzadas e interpretadas de um jeito inteligente de verdade. Confira a esquematização, em inglês:

viv-vs-siri

“E aí, Siri?”

A frase de ativação da Siri por voz (sem a necessidade de manter o home button pressionado)  é “E aí Siri“. Em inglês, a opção similar é “Hey Siri“. A Apple poderia fazer escolhas melhores. Até “Ei Siri”, uma tradução mais literal da ativação para a nossa língua, seria bacana. O bom gosto da Apple neste ponto foi contestável, pelo menos na minha opinião — que pareceu convergir com a de relatos que li no grupo do iPod School no Facebook.

Conclusão

Assim chega a Siri: sem nada de muito diferente em relação aos seus concorrentes, implementando um recurso que deveria ter sido implementado há um tempão. Mas embutida em um sistema operacional maravilhoso, isto, para mim, sempre será incontestável.

Programador, blogueiro, estudante de Engenharia de Computação. Em busca de deixar sua marquinha no universo.

  • Eu concordo, a Siri está parada no tempo. Ela poderia fazer muito mais coisas. E o pior é que ela “entende” muita coisa, mas diz que não pode fazer. Eu estou super ansioso por essa Viv, desde quando vi a notícia pela primeira vez. E fã da Apple do jeito que sou, espero que a Apple compre essa startup e funda a Viv com a Siri. Aí sim!

    • A Apple comprou a Siri, por que não fazer o mesmo com a Viv? Seria incrível. Concordo com você. Forte abraço!

  • Gostei do artigo, só discordo do fato de que é mais rápido usar a interface gráfica do que a Siri. Tarefas como alarmes, timers, pesquisas na web, conversões de unidade e contas simples são muito mais rápidas usando a Siri. A Siri possui funções que nem são integradas ao sistema e precisariam que o usuário baixe um App ou acesse algum site (Shazam e Wolfram Alpha são exemplos).

    • Tem razão, Gustavo. Parei pra pensar melhor agora e o recurso que se integra ao Shazam (quando você pergunta à Siri a música que está tocando) é bem prático e mais rápido do que procurar pelo app, abri-lo e usá-lo.

      Forte abraço.