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Segundas impressões sobre o iPad

Em junho deste ano, fiz um post entitulado “Impressões sobre o iPad”, baseados apenas num período de cerca de 3 horas em que eu pude brincar com o (então) recém-lançado tablet da Apple. Agora, cinco meses depois, sendo o último mês o período em que pude utilizar meu próprio iPad, em época de lançamento oficial do produto no Brasil, volto aqui para falar de algumas funções que não receberam a devida atenção no meu post anterior e (por que não?) voltar à alguns tópicos nos quais mudei de opinião.

O que mudou

No meu post anterior, disse que ver vídeos não era uma experiência muito boa, porque bordas pretas em cima e embaixo da imagem atrapalhavam a experiência do usuário. E, para se livrar delas (e, consequentemente, ver o vídeo em tela cheia), teríamos que desistir de assistir o filme em formato widescreen e voltar para o jurássico formato 4:3. Bem, as bordas continuam lá, mas a tela do iPad é grande o suficiente para você ver um vídeo ou até mesmo um filme de forma satisfatória sem sacrificar o formato widescreen. Além do mais, o formato 4:3 vai facilitar muito o na hora de acessar a web — espera um pouco que já chego lá. Voltando ao assunto de vídeos, a tela de alta resolução do iPad e o alto contraste da mesma proporcionam uma ótima experiência na hora de ver os filmes.

O que não mudou

Continuo achando o iPad uma plataforma péssima para ler livros. A tela, apesar de ter cores vívidas, tecnologia IPS e um touch extremamente responsivo, não foi feita com a leitura em mente. Assim como no computador, a tentativa de ler um livro se torna frustrante e tudo que você ganha é uma vista cansada, ao contrário da tecnologia presente em 9 de cada 10 eReaders, a tela E-Ink, que simula uma folha de papel. Apesar de precisar de luz ambiente para ser legível, não cansa a vista (e pode ser lida no sol, ao contrário de telas LCD, como você pode ver aí em cima). Digo isto como proprietário de um Kindle 2 e um iPad.

Além disso, apesar do iPad ser mais leve que grande parte dos livros, ele parece mais pesado. Não sei se tem algo a ver com a pegada ou a densidade dele (o iPad é extremamente fino), mas é mais confortável segurar um livro “pesado”, como, por exemplo, os da série Harry Potter, do que o iPad. Além disso, a grande maioria (se não todos) os eReaders do mercado são muito mais leves do que o iPad, característica essa que deve ser levada em consideração se o comprador pretende ler durante períodos prolongados de tempo. Portanto, se o seu objetivo for comprar o iPad para ler, recomendo no lugar dele comprar um Kindle 3, que além de ser cerca de um quarto do preço do iPad, te dará menos dor de cabeça.

Por outro lado, o iPad é um ótimo aparelho para quem se interessa mais em ler jornais e revistas do que livros, ou até mesmo para livros em que imagens são tão ou até mais importantes que o texto em si, como por exemplo guias de fotografia. Existem aplicativos de jornais e revistas estrangeiros o suficiente para pagar o iPad em um mês e meio, se você for fluente em inglês e tiver o costume de comprar estas publicações internacionais, que geralmente tem preço abusivo no Brasil. A diferença de preço entre a versão digital e a importada fará com que o iPad represente um enorme desconto na sua conta mensal. Até mesmo para jornais tupiniquins o iPad pode representar uma economia significativa, com grandes publicações como O Globo disponibilizando edições virtuais gratuitas.

A Web no iPad

Apesar de grande parte do acesso à internet pelo iPad ser feito por meio de aplicativos de terceiros (e isso inclui também browser alternativos, que representam uma parcela significativa do bolo), o Safari for iPad é um aplicativo muito bem feito e que merece ser mencionado. Toda a experiência de navegar pela web é extremamente prazerosa, principalmente por dois fatores: a tela de toque e o controverso formato 4:3. A tela de toque permite um acesso mais íntimo à web, podendo navegar pelas páginas e dar zoom em textos com pequenos movimentos dos dedos sobre a tela. Já o formato 4:3 dispensa os espaços vazios aos lados das páginas. Se você nunca percebeu (e estiver no computador, não no iPad ou no iPhone), preste atenção à página do iPodSchool. À esquerda do texto e à direita da barra de ferramentas (onde você pode ver os tweets mais recentes do @iPodSchool e a barra de pesquisar), existe um espaço vazio, que desaparece no iPad. Em uma tela de tamanho reduzido, isso faz muita diferença. Digo isto porque sou proprietário também de um netbook, e apesar deste possuir flash, a experiência de navegar na web é bem mais prazerosa no iPad. Apesar disso, o Safari tem suas desvantagens. A primeira, que irá aparecer em todos os browsers (exceto, talvez, aqueles que faám alguma gambiarra como por exemplo o CloudBrowse ou o SkyFire), é a ausência de Flash. Apesar de ser um formato em decadência, ainda faz falta em alguns websites. As outras duas podem ser solucionadas por meio de aplicativos de terceiros. O Safari não permite que mais de nove janelas sejam abertas, funcionamento semelhante à sua versão para iPhone. Apesar de talvez isto ser necessário para preservar a memória RAM reduzida do aparelho (o iPad dispõe de apenas 256MB de RAM), pode irritar em certos casos. Outro problema do Safari é a falta de um modo fullscreen, que pode ser resolvido por meio da instalação de navegadores alternativos como o Atomic Browser.

Os aplicativos do iPad

Não é segredo para ninguém que boa parte do sucesso do iPhone se deve à App Store, e não é diferente com seu irmão maior, o iPad. Além de poder rodar os aplicativos de iPhone (mesmo que a maioria não fique muito bonita no iPad), os aplicativos feitos especialmente para o tablet da Apple já ultrapassam a casa dos 20 mil. Obviamente nem todos apresentam a qualidade esperada, mas mesmo assim é um número muito expressivo, considerando que o produto tem cerca de oito meses de mercado — menos da metade do período de vida da App Store.

Mas nem tudo são flores. Ao contrário do iPhone, onde é muito fácil encontrar ótimos aplicativos por menos de um dólar (e até mesmo de graça) a maioria dos aplicativos do iPad são muito mais caros, normalmente sendo vendidos a U$4.99 ou U$9.99. Obviamente, existem excessões, como por exemplo o aplicativo recém lançado da Sling Player, por U$29,99 e o SketchBook Pro, por U$0,99. O problema do preço é agravado por dois motivos, o primeiro, exclusivo do Brasil, é a nossa dificuldade de fazer compras na App Store. Como a iTunes Store americana não aceita cartões brasileiros, a escolha da maioria dos usuários que se recusa a piratear os aplicativos é criar uma conta sem cartão e, talvez, uma vez ou outra, abastecê-la de Gift Cards, que são vendidos por preços muito altos aqui no Brasil. Uma rápida pesquisa no Mercado Livre revela cartões de 10 dólares sendo vendidos por R$29,99, quando, comprados nos Estados Unidos, custam apenas 18 reais.

Preço do capeta mesmo.

O outro problema, esse mundial, é que muito poucos aplicativos são universais, ou seja, funcionam tanto no iPhone como no iPad. Claro que todo esse problema de preços pode ser evitado utilizando-se apenas de aplicativos grátis, muitos deles extremamente funcionais (destacando aqui Flipboard, Pulse, TeamViewer e Dropbox — outro dia faço um post só de recomendação de aplicativos para o iPad), mas assim você estará utilizando apenas 42% da capacidade do seu aparellho — talvez nem isso.