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Próxima estação: Futuro

Subversão da campanha ‘Get a Mac’

Depois do iPSCast #22, muitas pessoas devem ter ficado intrigadas com tantas inovações no que diz respeito a interface trazidas pelo Windows 8. Durante a Podcast pude comentar os aspectos da ex-interface Metro e emitir minha opinião pessoal sobre eles. No entanto, senti a necessidade de uma apresentação melhor do assunto que foi falado — e como tem o que falar! Nada melhor que usar meu post de estreia para falar sobre isso.

INTRODUÇÃO 

Demonstração da interface do futuro Windows 8

Quero pedir a todos que deixemos por ora o nosso maravilhoso campo de distorção da realidade e analisemos o que há de concreto.

A ex-interface Metro começou a dar os primeiros indícios de aparição em alguns produtos de software da Microsoft como a Encarta 92 e o MSN 2.0, mas sua estreia definitiva com uma elaboração conceitual consistente ocorreu no lançamento do falecido – e ex concorrente do iPod – Zune.

Zune Player

Em um período que o iOS no que diz respeito a design e agregação de valor a comunicação visual caminhava a passos pequenos, a Microsoft anunciava a vanguarda da UI (User Interface). Sombras, chanfros, entalhes, brilhos, couros, texturas… Tudo isso havia sido jogado por terra para dar lugar a uma interface na qual o conteúdo tem o papel de protagonista. Até mesmo no design industrial a companhia inovava: os aparelhos Zune – à escolha do usuário – poderiam ser gravados a laser com uma infinidade de imagens lindíssimas e muito mais personalizados que o iPod.

Com essa estratégia, a empresa de Redomond conseguiu criar uma linguagem muito mais madura em termos de leveza, beleza e rapidez. Era o Budismo das UIs.  Na então interface Metro, apenas letras — uma família de tipografias foi criada para isso —, quadrados sólidos preenchidos com cores e fotos fazem o papel de tijolos para construção do sistema.

Interface do software Zune utilizado para sincronizar os players e atualmente os Windows Phones

Não era mais necessário fazer a barra de opções parecer feita de couro, o aplicativo parecer aquele álbum de fotos comprometedoras vintage que existe no fundo do seu guarda-roupa e etc. Nesse momento é relevante criticar o quanto atualmente essa estratégia do time de design do iOS tem se mostrado inconsistente.

Como dito na Podcast, na estreia do iPhone, e consequentemente das telas multitouch, era necessário que a interface dos dispositivos fossem amigáveis para o consumidor se acostumar mais facilmente com aquela tecnologia. Mas, atualmente, tal filosofia não se faz mais necessária e podemos perceber a falta de maturidade que tem norteado os cérebros de nossos iOS devices. Alguns aplicativos tentam se fazer parecer reais — calendário, lembretes, notas… — e, naqueles em que não é possível, cria-se uma infindável variação de barras de menus com inúmeros efeitos e toda sorte de bevel and emboss, cores e texturas para suprir a necessidade de criar uma identidade para o aplicativo.

Aprofundando-se na antiga interface metro e deixando de lado questões cronológicas de desenvolvimento e updates, quando a família de players Zune morreu, os engenheiros e designers de interface da Microsoft tiveram a idéia de aplicar a interface em larga escala, proporcionando-nos produtos como o Windows Phone e o futuro Windows 8.

Mas o que há de tão genial e divisor de águas nessa interface?

O (EX) METRO 

Filosofia do design Metro

A idéia da linguagem visual Metro basicamente foi emprestada de sistemas de transporte público, mais especificadamente o metrô de Seatle. Visualmente podemos perceber as semelhanças da interface com as placas que sinalizam o metrô dessa cidade e nos movimentos constantes que a interface faz para os lados horizontalmente. É como se estivéssemos em um metrô em movimento. E conceitualmente essência foi aplicada nos seguintes aspectos principais: Pessoas (que usam o sistema) e Dinamização.

DINAMIZAÇÃO

Alguns aplicativos presentes na Marketplace americana

Tudo parece estar vivo, ativo e mudando. A vida é assim. Termina aquele paradigma de que se precisamos obter determinada coisa, acessamos o aplicativo x, ele nos responde e o deixamos de lado. Agora, a tela inicial funciona como um quadro de aviso com vários ladrilhos animados (tiles). Esses são capazes de mutação constante e de nos responder sem nem mesmo perguntarmos. É como se a interface se antecipasse ao que você quer, é como se você estivesse conversando com uma pessoa que conhece. Por exemplo: Sou alguém que trabalha numa redação de jornal, preciso estar a     par das notícias e da previsão do tempo, e estou constantemente fazendo reportagens em diversos lugares da cidade. Após personalizar a minha tela inicial do Windows (Phone) 8 para exibir o que preciso, tenho quadrados que vão constantemente mudando e mostrando as notícias mais recentes para mim sem que eu nem ao menos toque neles; ou quadrados que fazem o mesmo, só que no que diz respeito a previsão do tempo; ou ainda, no meu celular, enquanto estou no trânsito e preciso ver alguns detalhes do GPS, posso apenas desbloquear a tela e o tile do aplicativo me mostra quanto tempo falta para chegar ao meu destino e um diagrama com a minha posição real em relação ao trajeto. Ao sentir necessidade, acesso o aplicativo e obtenho mais detalhes sobre o conteúdo.

Enfim, são inúmeras as possibilidades. Desde aplicativos que estão constantemente exibindo o placar de jogos esportivos, que mostram atualizações de redes sociais, exibindo fotos em destaque em serviços de upload, sinalizadores de horário, portão de embarque e situação de vôos em aplicativos de companhias aéreas; tudo é possível!  Acaba-se com as famigeradas e nunca utilizadas sideboards e dashboards e chega-se a um novo nível de aplicativo inteligente interagindo com os ícones de programas —coadjuvantes — dessa tela inicial.

PESSOAS

Hub Pessoas

A interface Metro — agora chamada de interface do Windows 8 por questões judiciais —  foi revolucionária no que diz respeito a integração e relacionamento com o usuário. Todos os dias lidamos com uma vasta quantidade de redes sociais e aplicativos que desempenham funções de um mesmo nicho. Para isso, o iOS nos oferecia, até a versão 5, uma tímida integração com o Twitter e o usuário precisava ter diversos aplicativos das redes sociais para ir acessando uma por uma e obtendo o que desejasse. Além disso, para organizar seus aplicativos multimídia, o usuário precisava agrupar o que desejasse em pastas (Aplicativos de Música, Foto, Vídeo).  O que os desenhistas do Windows 8 propõem? A criação de Hubs. Existe um Hub chamado ‘Eu’ e outro chamado ‘Pessoas’. No Eu, podemos conectar um número relevante de redes sociais e integrar tudo em apenas um espaço.

Chega de precisar ficar com vários aplicativos abertos para obter o que é relevante. Agora, as notificações do facebook, interações do twitter, novidades do LinkedIn estão todas no mesmo lugar. Quando quiser postar algo, você pode selecionar as redes em que deseja adicionar tal conteúdo e voilà. Conectando essas redes sociais, automaticamente seus amigos irão ser adicionados ao Hub Pessoas, tendo seu aniversário, email, cônjuge/namorado(a) e outros campos preenchidos. Os perfis se unificam. E cada amigo pode funcionar como um tile separado. Quando você acessa o perfil de um amigo no Hub ‘Pessoas’, têm-se acesso as fotos pessoais, atualizações em redes sociais, histórico de ligações e mensagens, entre outras coisas. Você ainda pode adicionar um tile com acesso facilitado aquele melhor amigo ou até mesmo criar um grupo de amigos para fazer ações em conjunto. É importante destacar a sacada genial de integrar na parte de mensagens os serviços que você utiliza para se comunicar. Dessa forma, você pode, por exemplo, começar uma conversa com seu amigo no Facebook, continuá-la em SMS e terminar no MSN. Tudo em um único lugar. E a promessa é que o recurso só melhore com a chegada do Windows 8 e a integração com o Skype.

No que diz respeito a aplicações multimídia, o Windows Phone possui uma integração fantástica. Basta abrir o Hub de música ou fotos para ter uma aba de acesso a todos os aplicativos em sua biblioteca que estejam relacionados aquela área. Tudo, enfim, está organizado e conectado.

Há ainda que serem ressaltados os hubs ‘Xbox Live’ que reúne os jogos do aparelho com as funcionaliades já conhecidas do video-game, como conquistas, amigos, avatares e etc,; e o Hub ‘Office’ — funcionalidade muito interessante pois já vem de fábrica no tefelone — que abriga versões mobile dos principais aplicativos da suíte de escritório.

Hub Música+Vídeo

PARECER

A linguagem visual e conceitual atualmente utilizada da Microsft consegue, com êxito inegável, trazer produtos impecáveis, sem arestas, bonitos, consistentes, rápidos e limpos.

A interface do Windows pode e deve ser uma fonte de inspiração para as futuras inovações dos sistemas da Apple e vale a pena dar uma olhada em toda a vanguarda promovida pela Microsoft em todos os seus serviços.

Para aqueles que desejarem entenderem as inovações do Windows Phone pesquisem pela campanha Smoked By a Windows Phone — no Brasil, Comeu Poeira de um Windows Phone.

Mas, devemos ressaltar que, tanto como encontramos problemas nos nossos produtos do pomar, o Metro possui aspectos a serem melhorados e deficientes. O futuro, no entanto,  é muito promissor. No fim, é uma questão de gosto.

Que a divindade Steve Jobs nos perdoe por estar admirando a produção alheia. Aliás, será que aquele ditado que santo de casa não faz milagre é verdade? Só o futuro dirá.