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Política de privacidade do Instagram: falta de respeito, ou não?

Definir o Instagram em poucas linhas? Aplicativo inovador que criou uma complexa rede social de compartilhamento de fotos muito bem elaborada, chamando atenção de qualquer usuário do iOS e do Android. Em pouco tempo, o aplicativo atingiu popularidade incrível. Ganha destaques: recebeu, merecidamente, o título de “APLICATIVO DO ANO” no final de 2011, e também apareceu como destaque ano passado aqui no iPS entre os aplicativos que mais recomendávamos. Hoje, o Instagram é propriedade do Facebook, e cresce constantemente – cada vez mais. Sucesso total. No entanto, não elaboro essa matéria a fim de elogiar o glorioso Instagram. O questionamento que pretendo levantar é a postura das empresas, que usam do seu gigantismo para abusar, diante dos seus usuários.

Um pouco de história…

Os dados de mais de 1 bilhão de pessoas estão nas mãos do Facebook. Uma polêmica antiga já deu muito o que falar: o Facebook deixou escapar dados de usuários para empresas, e inclusive admitiu oficialmente o fato. Mesmo assim, quem sempre usou o Facebook, por mais que tenha se incomodado muito com a polêmica antiga, deixou sua conta por lá intacta. O gigantismo da empresa fala mais forte: não há rede social melhor do que o Facebook em sua categoria, portanto, não há outra opção senão dependemos de empresas quando usamos redes sociais. Assim como o banco de dados do Facebook salva tudo sobre você, o Instagram também é capaz de fazer algo parecido: agrupar todas suas fotos e detalhes preenchidos por você mesmo em seu perfil. A diferença é que, enquanto o Facebook não disponibiliza nem vende seus dados pessoais, o Instagram deu um primeiro passo que pareceu um absurdo para muita gente.

O Instagram anunciou mudanças em sua política de privacidade que entram em vigor a partir do dia 13 de janeiro. Super normal, já que a rede social de compartilhamento de fotos agora pertence ao Facebook, era de se esperar que sua política de privacidade e termos de uso sofressem alterações que se adequassem perfeitamente ao estilo do Facebook. No entanto, algo que demonstrou extremo desrespeito apareceu na nova política de privacidade. No meio daqueles textos enormes e chatos que VOCÊ NUNCA LÊ, mas sempre concorda, tem um trecho que merece destaque entre os demais. A parte que quero destacar é bem clara: ao usar o Instagram, você estaria aceitando que suas fotos poderiam ser vendidas para empresas de qualquer tipo a qualquer momento, e você nem seria notificado, muito menos remunerado. Não demorou muito até criticas e mais criticas bombarem na internet.

A reação.

Era tudo assim até ontem, quando o Instagram percebeu a cagada que fez e resolveu voltar atrás. Em nota em seu blog oficial, a equipe do Instagram foi bem clara: eles não pretendem vender fotos de usuários a fim de ganhar dinheiro. Por mais que tudo tenha sido perfeitamente esclarecido na resposta do Instagram em seu blog, e que a política de privacidade de novo tenha sofrido alterações, não podemos negar que a decisão tomada pelo Instagram foi contraditória. Em um primeiro momento, a empresa se diz interessada em ganhar dinheiro em cima de seus usuários, ressaltando que como toda empresa o Instagram deve gerar receita. Em um segundo momento, uma interpretação correta que deveria ser feita em cima das linhas da política do Instagram que geraram polêmica é apresentada:

To provide context, we envision a future where both users and brands alike may promote their photos & accounts to increase engagement and to build a more meaningful following. Let’s say a business wanted to promote their account to gain more followers and Instagram was able to feature them in some way. In order to help make a more relevant and useful promotion, it would be helpful to see which of the people you follow also follow this business. In this way, some of the data you produce — like the actions you take (eg, following the account) and your profile photo — might show up if you are following this business.

Basicamente, o trecho que destaquei é uma tentativa – super contraditória – de explicar como os dados de usuários poderiam ser utilizados sem aviso prévio. O exemplo dado é de uma empresa que quer usar uma propaganda para promover sua conta no Instagram e, dentro da propaganda, a lista de usuários que estão atualmente seguindo a empresa pode aparecer. Hmm. Só eu que achei o exemplo super sem sentido?

De qualquer maneira, o Instagram já está trabalhando para atualizar e clarificar os textos de sua política.