iPod School

Os Tablets, principalmente o iPad, continuam mudando o modo de ensinar

Lucas FonteneleLucas Fontenele

Para que qualquer nova tecnologia seja implantada, é fundamental que haja investimento em   equipamento (produto) e em formação (serviço). Está muito claro, a todos os pesquisadores e os formadores que trabalham sério em educação, que não é possível acontecer a utilização de tablets na   realidade das escolas brasileiras sem uma formação adequada dos docentes. O que vai facilitar a aproximação, a perda do “medo” e a familiaridade do professor com a tecnologia é exatamente a  formação. Não somente a formação acadêmica, mas a formação continuada, em serviço, preocupada com o trabalho pedagógico diário e atenta à realidade, ultrapassando os muros da escola.

Educação, Responsabilidade Social e Tecnologia

Novos espaços sociais de acesso, troca e compartilhamento de informações e de construção de conhecimento estão surgindo a cada dia. É importante que o professor, bem formado, se aproprie disso e aja como mediador e facilitador, provocando uma reflexão ética e uma discussão a partir dos diferentes conteúdos apresentados na internet, por exemplo. Interação entre os pares, pesquisa na internet, utilização das redes sociais (fechadas ou abertas) e das ferramentas de wiki são exemplos de trabalhos que podem (e devem) entrar na escola porque fazem parte do mundo. Isso não significa deixar entrar tudo isso sem critérios claros e bem combinados. O professor é responsável também por realizar um trabalho de conscientização da importância da seleção de materiais acessados, gerando a construção do senso crítico.

O professor arraigado ao seu material tradicional (livro didático e apostila) tem dificuldade e receio em movimentar-se nesse “webmundo” cheio de informações. Há um abismo entre alunos e professores, tanto na relação pessoal entre eles como em relação a como o conhecimento é construído. A forma tradicional de trabalho (com carteiras, umas atrás das outras) foi criada para uma escola do século XIX e não tem mais serventia neste mundo. Se a escola se propõe a formar um cidadão para a sociedade tem também o compromisso de criar um cidadão no mundo virtual.

Fazemos parte de um projeto chamado iPad na sala de aula, que tem como principal objetivo o trabalho de formação dos professores para o uso da tecnologia, especialmente o iPad, em sua prática docente. A ideia é incorporar a ferramenta (no caso, o iPad) na prática pedagógica, privilegiando um planejamento coletivo para um trabalho com projetos de estudos inter e transdisciplinares. Nosso projeto está trabalhando para formar multiplicadores e professores. Isto significa munir o profissional da educação com as ferramentas da tecnologia, aproveitando o seu conhecimento e planejando projetos que contemplem um melhor aproveitamento das experiências que os alunos têm em suas vidas, com a internet, redes sociais e jogos, coisas pelas quais se interessam.

A utilização de recursos culturais de docentes e estudantes fará com que uma verdadeira parceria se forme e o interesse pelas aulas tenda a aumentar, pois os alunos se sentirão colaboradores e coautores, e não apenas pessoas que recebem material para decorar. É fundamental que professores e alunos sintam-se bem em sala e tenham clareza de seus papéis e de sua importância neste contexto. É fundamental entender que a lousa digital, o netbook, o iPad e outros tablets são ferramentas de apoio ao professor e ao aluno.

Alunos tem excesso de informações e precisam de um mediador, alguém que os auxilie na compreensão de sua realidade e da transformação deste monte de ideias soltas em algo produtivo, útil para a sua vida diária. Dentro desta perspectiva, o iPad não vem concorrer com o trabalho de um profissional atualizado, interessado e dedicado, pois ele é o facilitador em todo o seu trabalho.

No contexto atual, e como toda nova ferramenta tecnológica, é necessário haver um suporte e quando falamos de escola, um suporte pedagógico. O que nos preocupa é que algumas escolas estão simplesmente comprando iPads e outros tablets e colocando na mão de professores e alunos, sem nenhum critério. Nossa ideia é trabalhar com um projeto de trabalho estruturado, contando com uma formação completa, feita de professor para professor. Por isso nossa equipe é formada por professores e não técnicos de informática.

Realmente muito bacana ver a revolução tecnológica mudando e fazendo acontecer no cenário Brasileiro, parabéns a todos do projeto @ipadnaaula, em especial nossa colega @adrianagandin e a Ingrid Strelow (autoras do texto.)

  • Mikeoagard

    Opa! ^^
    Sou professor de educação física – rede publica e sempre uso meus gadgets em aula. Apresentações, músicas, videos, plano de aula, internet…
    Isso sem contar que abro espaço para meus alunos conversarem via Facebook, e-mail e Orkut. Outra ferramenta tecnológica muito importante pra mim é o Twitter. Nesse eu não sigo perfis pessoais, somente perfis de noticia sobre tecnologia e de educação, como secretaria estadual de educação, mec, prefeitura, núcleo regional de educação, uol educação…

    • Denis Polidoro

      Parabens pela iniciativa. Que varios outros sigam pelo rumo de tecnologia e educação de mãos dadas.

    • Nossa, muito bacana, depois conheça o @ipadnaaula:twitter 

  • Anônimo

    Parabéns por seu post Dr. Lucas Fontenele, simplesmente sensacional a proposta por vossa senhoria apresentada.

    Abraços

    • Valeu, curto muito o tema, as autoras são minhas amigas Adriana e Ingrid do @iPadnaaula ;D

  • Gmolonhoni

    Integral usa iPads, e todos alunos inclusive eu tem um iPad que a escola deu, e posso afirmar, é muito bom!!

  • Ingrid Strelow

    Oi, Lucas, boa tarde!

    Em nossa experiência com assessoria a pais, avós, professores, direção de escolas e faculdades temos percebido que o medo inicial de assumir uma classe com smartphones e tablets é muito mais o de ver alunos dispersos na internet e de que conteúdos os atraem do que propriamente do equipamento em si.

    Debatemos com eles de que forma essas ferramentas chegam aos estudante e como podemos fazer desses espaços escolar, familiar e virtual ambientes saudáveis e em que construa-se critérios de utilização dos recursos disponíveis.

    Informações são fáceis de encontrar, com cliques ou toques, já que estamos na era "touch", mas o que fazemos com elas? O que publicamos e compartilhamos é verdadeiro, útil, ético? – Sem esse debate o trabalho com as novas tecnologias seria complicadíssimo.

    Os contatos iniciais com o iPad parecem ser o de uma libertação, em que mãos adultas trêmulas inicialmente logo tornam-se seguras e, com o tempo, multiplicadoras da disposição de se abrir ao novo.

    O grande problema de se abrir espaços sem preparo para o trabalho com habilitação dos educadores, principalmente, como acontece em algumas instâncias é que os equipamentos se tornam um fardo para os profissionais do ensino. Também para as famílias, que acreditam que seus filhos estão entrando num mundo desconhecido e sem fronteiras.

    Com diálogo e capacitação, certamente é possível customizar aulas, criar oportunidades, variar formatos e, com certeza, reafirmar o papel que o professor e familares têm na vida de crianças, jovens e adultos.

  • Ricoy

    Aqui no Integral de Campinas/SP estamos no projeto 1 Ipad por aluno desde o sexto ano do fundamental ao ensino medio! Ja podemos afirmar que eh uma revolucao no modo de ensinar/aprender
    Alcino jr

    • Adriana

      Legal!!!
      Como fizeram a formação dos professores?! 😉