Press "Enter" to skip to content

Os iPhones e iPad’s nacionais realmente trarão tudo que os políticos dizem trazer?

Brasil: Altos impostos, mão de obra barata e pouquíssimos investimentos na já fraca indústria nacional. A pergunta que muitos fazem é: Os iPhones, os iPad’s e a fabricação de peças para aparelhos eletrônicos que estão por vir realmente refletem tudo o que os políticos dizem de bom e útil para o país? E os executivos da FOXCONN realmente acham que o Brasil é um bom lugar para estabelecerem seus investimentos?

Até onde a montagem do iPad e do iPhone no Brasil será vantajosa Srs. políticos?

Estas são perguntas que não param de surgir à cabeça de muitos leitores que estão antenados com a situação política, econômica e de infraestrutura do parque industrial Brasileiro. Não escrevo isto por ser fanboy Apple ou revoltado com meu país, escrevo-lhes no intuito de demonstrar o quanto a situação é delicada dentro da nossa nação quando se trata de temas como tecnologia e investimentos estrangeiros que os Brasileiros tanto almejam ver; nesse caso são celulares e tablets, mas em outros tempo foram as TV’s, os carros chineses/japoneses e muitos outros produtos.

Com essa novidade de que tablets e celulares estarão em breve sendo fabricados em nosso país, os políticos do meio da ciência e tecnologia e áreas correlatas sempre enchem a boca em seus discursos para citar palavras como: desenvolvimento do país, integração digital, desenvolvimento da indústria nacional, geração de empregos e evolução tecnológica.  Sempre que escuto esses discursos ainda me encho de indignação em saber como, descaradamente, nosso povo é enganado e que muitos não têm um mínimo de senso sobre geoeconomia e geopolítica, deve ser por isso que eles ainda estão no poder.

Quanto a isso, faço alguns apontamentos que serviram como ideia primordial para a escrita dessa matéria em questão:

Desenvolvimento do país: Fraco. Isso mesmo, fraquíssimo, a vinda de empresas como a FOXCONN ao Brasil de nada nos traz em caráter de desenvolvimento, a empresa investe em parque industrial e maquinário (que já não são fabricados aqui e que serão de sua propriedade) e a única coisa que temos realmente nosso é o terreno que a empresa está estabelecida; e que muitas vezes ainda é doado a empresa, que já ganha de brinde, além do aluguel ou a propriedade do terreno, taxação zero em contas das mais diversas e em vários impostos incidentais de suas atividades.

Integração digital: Uma piada sem graça. O país tem uma índice de desenvolvimento público educacional abaixo dos parâmetros da ONU e muito aquém dos índices de países desenvolvidos e subdesenvolvidos, diga-se de passagem. Como nossas crianças e adolescentes pobres e de centros educacionais públicos podem ter acesso a um iPad para o estudo e aprendizado se estes muitas vezes, já roubam, têm vivência com as drogas, mal sabem ler e quando sabem não tem habilidade de interpretação alguma? Como podemos despertar a vontade do conhecimentos em jovens que sabem que nunca terão uma oportunidade de emprego digno e de educar os seus próprios filhos? De que adianta, eu pergunto, fazer licitações para que diversas escolas públicas tenham acesso a iPad’s de última geração se nem os professores, com seus salários deploráveis, as vezes não sabem do que se trata? É uma situação calamitosa e que nossos políticos não querem ver.

Desenvolvimento da indústria nacional: Esse ponto não tenho palavras para classificar. Desenvolver a indústria nacional de que forma? A empresa que chega é uma multinacional, o parque industrial, como já foi dito, é todo doado, taxação e contas – que para o empresário Brasileiro é astronômica – é reduzida a ZERO, qual é, meus amigos, o desenvolvimento que o parque industrial ganha com isso? Só consigo vislumbrar alguns casos de pequenas peças ou parafusos que por venturam venham a ser utilizados como terceirização de poucos produtos, o que eu duvido que ocorra com uma linha de produção com a qualidade que a Apple exige. Esse desenvolvimento é mera balela.

Evolução Tecnológica: Outra balela para encher discurso de mentiroso mal informado. Meus amigos leitores, saibam de uma coisa, a FOXCONN vem ao país montar iPad’s e iPhones soltando piadas, que temos mão de obra cara, que jamais seremos como a China em produção, salários e mercado consumidor (deve ser por isso que lá eles se suicidam) e não se enganem, a vinda da empresa para o Brasil em nada agrega nosso conhecimento em tecnologia, pois o contrato é montagem e produção, não há a venda ou permuta de segredos industriais nem troca de tecnologia.

Geração de Empregos: Este é um dos aspectos que ainda tem uma ponta de verdade. Realmente a instalação de um parque industrial deste vulto agrega muitos empregos aos cidadãos da região que será instalada a empresa. Mas, depois da leitura feita acima, só a geração de empregos será o suficiente para girar a economia da região e do país depois de tantas concessões feitas aos estrangeiros? Será que a mera geração de 3mil postos de trabalho, por exemplo, releva a falta de respeito com o empresário industrial Brasileiro que paga um imposto altíssimo para ver outros chegarem aqui e se instalarem, a bem dizer, de graça? Fazendo uso de uma guerra tributária entre estados desleal? Então amigos leitores, realmente há uma geração de empregos local, mas ao meu ponto de vista, não supri em muita coisa tudo que já foi concedido inicialmente para a instalação da indústria; sem falar nos casos em que após o período que as concessões de gratuidade acabam – geralmente 10 anos -, estes parques industriais abandonam a região e buscam outras, gerando a conhecida guerra fiscal – novamente – e deixando milhares de desempregados.

Assim meus amigos, que ótimo que teremos o iPhone e o iPad sendo montado em nosso território Brasileiro – com a ajuda do BNDES e do Eike Batista -, isso barateará, pelo menos em tese (veja o valor dos carros montados em território nacional, são baratos?) o valor desses aparelhos, agora dizer que essa simples montagem ou até ouvir dizer por aí que a Apple está vindo ao Brasil, aí já é outra história, ou um outro sonho.

Forte Abraço.