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[Opinião] Steve Jobs seria o gênio que um dia David Ogilvy fora?

Lucas FonteneleLucas Fontenele

Pensando em genialidade, um comparativo me surgiu a mente, Steve Jobs versus David Ogilvy. Steve Jobs, todos nós já conhecemos – o gênio por trás da computação pessoal e o criador dos aparelhos eletrônicos mais famosos do mundo – e creio que iremos conhecer mais ainda com o lançamento da sua Biografia que já é considerada um recorde de vendas. Para os que não conhecem-no, David Ogilvy fora um dos mais brilhantes, ou o mais brilhante, publicitário dos últimos cem anos – a revista Fortune já publicou um artigo intitulado como: David Ogilvy é um gênio?

David Ogilvy

Ogilvy, tinha hábitos que lembravam o gênio da tecnologia. Em seu livro Confissões de um publicitário – Editora Bertrand Brasil – ele comenta que anualmente apresentava a todo o seu pessoal um resumo geral do que aquele ano tinha representado para empresa, e passava aos funcionários alguns itens que julgava imprescindíveis ao comportamento e ao caráter deles, como por exemplo:

“Desprezo os puxa-sacos que bajulam os seus chefes; eles são geralmente as mesmas pessoas que infernizam os seus subordinados.”

“Admiro as pessoas que trabalham duro, que enfrentam a batalha. Detesto os passageiros que não trabalham para carregar seu próprio peso no barco. É mais divertido estar com excesso de trabalho do que com trabalho de menos. Existe um fator econômico inerente ao trabalho duro: quanto mais você trabalha, de menos empregados precisamos, e mais lucros realizamos. Quanto mais lucro realizamos, mais dinheiro haverá para todos nós.”

“Admiro pessoas organizadas, que entregam seu trabalho no prazo (…) o bom profissional nunca sai para casa sem antes ter terminado todo o trabalho que estava em sua mesa (Adaptações nossas).”

Depois de ter passado para sua STAFF tudo o quê espera dela, ele comenta sobre alguns pensamentos que espera sempre alcançar, como pessoa e como profissional, aos quais destaco:

“Tento ser justo e firme, tomar decisões impopulares sem covardia, criar uma atmosfera de estabilidade e ouvir mais do que falar.”

“Tento extrair o melhor de cada homem e mulher da empresa.”

“Tento conquistar a confiança dos nossos clientes ao nível mais alto”

“Planejo as políticas da empresa a longo prazo.”

O publicitário afirma também em suas confissões, que um processo criativo exige muito mais que apenas a razão, dizia ser incapaz de ter um pensamento lógico, mas que mantinha aberta a ‘linha telefônica’ com o seu inconsciente caso este tivesse alguma coisa a dizer, afirmava que sempre ouvia uma boa música, praticava jardinagem, tomava longos banhos quentes e que para pensar dava longas caminhadas. Em suas férias, nada de festas, golfe, nem bebidas, somente uma bicicleta era o suficiente, simples. Nos momentos de descanso, seu inconsciente constantemente lhe enviava boas ideias, mas que para serem postas em prática, dizia, era necessário, sempre, pulso firme e muito trabalho duro.

O gênio da propaganda dizia que poucos dos grandes criadores têm personalidade agradável, as vezes são rudes com os pobres de espírito ou mergulham, muitas vezes, no mau humor; algumas vezes choravam sozinhos – qualquer semelhança com o gênio da tecnologia pessoal, é mera coincidência?

A semelhança encontrada nos diversos livros sobre a vida e os pensamentos de Steve Jobs e nas poucas páginas que li de sua biografia – pois a minha chegou há poucas horas atrás – demonstra um gênio atormentado por suas ideias, um homem que não se rende ao não conhecimento de alguma coisa, um workaholic, empresário capaz de se chatear por não conseguir passar a fundo sua opinião em determinado produto ou decisão, alguém que também preferia não trabalhar com os que não amam o que fazem, alguém que fora um gênio.

Steve Jobs – Apple

Quando se conhece um pouco dos dois profissionais, das duas pessoas que foram, seus erros e seus acertos, sua juventude pobre, porém genial (David Ogilvy também não sabia muito que destino tomar na juventude, chegou a ir a Oxford e fora expulso vergonhosamente – disse em seu livro que na época estava muito preocupado em não fazer coisa nenhuma) facilmente notamos a sua semelhança, a sua característica vencedora; eles prezavam e valorizavam o suor e a dedicação como ninguém, talvez por isso conseguimos entender porque tiveram tanto sucesso em tudo o que fazeram. Steve Jobs certa vez disse que:

Para se ter sucesso, é necessário amar de verdade o que se faz. Caso contrário, levando em conta apenas o lado racional, você simplesmente desiste. É o que acontece com a maioria das pessoas.

Steve passou mais de 10 anos longe da Apple – pois foi afastado da empresa que fundou por John Sculley – David passou 17 anos sem se estabilizar firmemente em uma profissão, fora jardineiro, cozinheiro, somente anos depois encontrou na América a sua identidade – a Publicidade e Propaganda, dois excepcionais no que faziam, dois que ficaram e ficarão marcados por muitos e muitos anos, dois que mesmo antes de terem partido já sabiam o que dizer:

Steve Jobs:

Ser o mais rico do cemitério não é o que mais importa para mim. Ir para cama à noite e pensar que fizemos algo incrível, isso é o que mais importa para mim.

David Ogilvy:

Eu gostaria de ser lembrado como um criador, um redator, que teve algumas boas ideias.

Eu apenas lhes digo: Obrigado.

 

Obrigado ao Guilherme Freitas, pela força.

Texto enviado ao Jornal Brasil247

  • Anônimo

    Cara, o livro do Jobs é muito bom…

  • Guido Adrade

    Vou comprar o livro dos dois depois! Poxa, ta genial essa tua matéria! Jobs o nosso "pai" da tecnologia e o David Ogilvy, maior publicitário da história! E eu pretendo cursar publicidade, então não tinha como achar genial o que você acaba de postar aqui no Blog.
    Abraço.