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Opinião: Facebook Home

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Um bom mochileiro da galáxia sabe que existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instanteneamente e será substituído por algo algo mais estranho e mais bizarro que a proposta do Facebook Phone. Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu. Nossa conexão com a internet é cada vez mais rápida e dinâmica; vivemos num ecossistema que nos obriga, em muitas situações, a estar sempre online. É isso que a empresa comandada pelo brilhante Mark Zuckerberg explora: o que o Facebook fez foi adaptar o Android, um excelente sistema operacional, para rodar o Facebook em primeiro plano. O resto é secundário. A ideia é, em um primeiro momento, genial, já que o Facebook permite o contato com as pessoas virtualmente da maneira mais eficiente possível, com suporte a todas plataformas, mensagens de texto, mensagens de voz, compartilhamento de arquivos, fotos e vídeos e, por último, a possibilidade de realizar ligações à lá as que você realiza pelo chip telefônico de sua operadora.

A teoria do “Facebook Home” foi trazida na prática de maneira bem simples e agradável, e o Android funciona do jeito que esperamos, só que com uma ideia nova adicional: o conceito de estar offline não existe no sistema proposto pela grande empresa do logo que tem aquele belíssimo tom de azul. A maneira como o Facebook se sobrepõe aos aplicativos que você roda é bem bacana, não posso negar. Ao receber uma mensagem, o rosto do seu amigo aparece na tela e você tem liberdade total para arrastar ele para um canto ou tocar lá. Essa última ação abre uma janela de conversa sem interromper o aplicativo atual aberto. Sobreposição bem previsível, mas prática e aplicada a um design super agradável. Para completar, o “home button” do smartphone mostra seu feed de notícias. Parabéns, time do Mark! Mas por trás de toda essa genialidade, caímos num cenário padrão que nunca mudará: o contato por Facebook não substitui e nunca substituirá as relações reais. Sendo assim, simular o rosto dos nossos amigos em uma tela para passar ao usuário a sensação que seu amigo está de fato lá, dentro do celular, é um pouco de skeumorfismo combinado num milk shake de exagero. Quando Zuckerberg diz que “com o Home vemos o mundo através das pessoas e não por aplicativos”, ele também exagera.

O que o Facebook quer com o “Facebook Home”? Se me permitem arriscar, chuto duas coisas que se destacam. Em primeiro lugar, o Facebook quer lucrar, assim como toda empresa que existe no mundo marcado essencialmente por traços capitalistas, e viu como vantajoso o investimento dentro do efêmero e expansível universo dos smartphones. Vejam bem: os celulares são, talvez, os objetos que mais usamos no nosso dia-a-dia. Estamos sempre com ele e ao se sobrepor aos demais aplicativos, o Facebook dá destaque ao seu nome. Campanha legal, mas super apelativa. Fará sucesso e venderá muito bem, mas estou tão confuso quanto você e não sei como as pessoas reagirão à OBRIGAÇÃO de estarem sempre online imposta por seus smartphones.

Sinta-se à vontade para me criticar pelos comentários.