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O que o fim do ‘The Daily’ significa?

André BazagliaAndré Bazaglia

Em fevereiro de 2011, a Apple e a gigantesca empresa de comunicação News Corp. lançaram, juntas, o ‘The Daily’. Por ser exclusivo para o iPad, o jornal prometia introduzir uma nova maneira das pessoas lerem as notícias. A interatividade proporcionada pela tecnologia combinada com uma assinatura mensal de baixo custo possível pela redução de gastos materiais do jornal tradicional parecia, em um primeiro momento, ser o primeiro passo de uma grande transição que ocorreria nos próximos anos. Desde 2011, o The Daily seguiu na App Store, loja virtual de aplicativos da Apple. O aplicativo era gratuito, e através do In-App-Purchase opções de assinaturas eram oferecias de duas maneiras distintas: semanalmente, por $0,99; ou anualmente, por $39,99. O aplicativo tinha tudo para dar certo, mas não deu. A notícia divulgada hoje no blog oficial do The Daily é bem provocadora: o jornal será descontinuado. Mas por quê?

Por mais vantajosa e interessante que um jornal virtual possa ser para o usuário final, o lado da News Corp. não era nada bom: com um número de 100 mil assinantes, o prejuízo anual da empresa para manter o aplicativo era de 30 mil. Para que a situação se revertesse em lucro, o número de assinantes deveria quintuplicar.

A queda do The Daily representa o fracasso generalizado do jornal digital?

Definitivamente, não. O potencial do mercado digital não é máximo, ainda. Fatoros específicos do The Daily como a sua exclusividade ao iPad e a restrição aos EUA e ao Reino Unido devem ser analisados antes de tudo para que o fracasso do app seja justificável. Aqui no Brasil, a Veja e a Folha são exemplos de dois investimentos bem-sucedidos no setor, com excelentes edições disponibilizadas em HTML5. O custo desses jornais brasileiros são altíssimos quando comparados ao The Daily.

Eu ainda espero ansiosamente pelo dia que o mercado de livros e jornais penetre fortemente dentro da rede mundial de computadores, pelo dia que exista internet sem pirataria, pelo dia que o hábito de assinar jornais e comprar livros pelo computador torne-se mais comum do que obtê-los através do método tradicional.

Programador, blogueiro, estudante de Engenharia de Computação. Em busca de deixar sua marquinha no universo.

  • drvinicius

    Sempre achei a iniciativa do the Daily interessante, principalmente pelo preço. Pena que tenha acabado antes da expansão para outros mercados. No Brasil ainda acho muito caro a proposta digital. Livros as vezes são mais caros no formato digital que no impresso e isso não é animador. Assino a veja digital e impressa e digo: não renovarei a assinatura. Talvez alguma revista da editora Globo seja mais vantajosa visto que o assinante impresso tem direito ao formato digital. Essa deveria ser a regra. Ninguém assina uma revista pelo interesse no papel, se assina pelo conteúdo, e se você pagou pelo conteúdo impresso nada mais justo que se tenha acesso a ele por quaisquer meios que a empresa disponibilize. Espero sim uma popularização dos meios digitais para as massas e que o papel tenha apenas funções mais especificas, mas enquanto o atual modelo de negócios, preços e distribuição for mantido, acho pouco provável que isso aconteça.