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Hardware do iPhone 5S não é tão inovador quanto você pensa

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Me surpreendi ao ler uma notícia do jornal The Times of India que trazia o seguinte título: “Analista: O processador A7 do iPhone 5S não é revolucionário”. A matéria é feita em cima de um comentário de Patrick Moorhead, que além de presidente e principal analista da “Moor Insights and Strategy” é contribuidor da Forbes, uma conceituada revista norte-americana.

Será que, de fato, colocar 64 bits dentro do processador de um smartphone foi pura jogada de marketing da Apple? Antes de mais nada, vejamos alguns conceitos essenciais para uma interpretação concreta da situação.

Se o seu processador trabalha em 64 bits, ele pode operar números inteiros de até 64 bits de tamanho. Se ele trabalha em 32 bits, números inteiros de até 32 bits de tamanho são processados. Ora, com o dobro de capacidade, ao invés de duas viagens a cada ciclo de clock quando funcionando em modo 32 bits, o processador em 64 bits realizar apenas uma. E na prática, é exatamente assim. Processadores em 128 bits operariam mais rápido ainda, e os de 256 bits teriam o desempenho 8 vezes superior ao de 32 bits. “Ah, então vou projetar meu próprio processador de 256 bits, vendê-lo e ficar rico”. Não, não é bem por aí.

Entra o conceito de memória RAM. Ao contrário dos HDD’s e SSD’s, que são classificados como tipos de memória secundária, a memória RAM é a memória principal do seu computador. Ela salva dados que, posteriormente, serão manipulados pelo processador. Mas processadores de 64 bits precisam usar uma fatia maior da RAM para tirarem proveito considerável. Nasce, então, um problema: o iPhone 5S continuará, muito provavelmente – teremos certeza total apenas quando portais internacionais especializados em hardware confirmarem – com o restrito e limitado número de 1GB de RAM.

Assim, o real potencial de um chip 64 bits não é explorado, e 1GB continua sendo insuficiente. Usuários que necessitam de vários apps abertos no multitasking em estado “ativo” ao mesmo tempo sentirão falta de um aparelho com mais RAM. É inviável que um processador potente não venha acompanhado de bastante memória RAM; as duas peças de hardware devem andar quase que juntas.

Conclusão: os chips em 64 bits representam o adiantamento de algo que, inviavelmente, aconteceria no futuro de qualquer maneira. Mas por enquanto, os resultados práticos dos chips em 64 bits talvez não sejam tão consideráveis como esperamos.