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LTE no Brasil: dois problemas e duas soluções

André BazagliaAndré Bazaglia

verizon-lte

Velocidade mais alta que a Wi-Fi de sua casa? Esse é o LTE, realidade em vários países.

No Brasil, vivemos a realidade da lentidão digital das redes móveis. Estamos na era do 3G (WCDMA) e 3,5G (HSDPA), que nos oferecem, respectivamente, taxas de 384kbps e 7,2Mbps de download. Os valores teóricos são, aliás, muito altos quando comparados aos valores práticos obtidos pelos sinais das gigantes operadoras que atuam em território brasileiro, com cobertura sempre muito restrita.

A Apple disponibiliza uma lista de países que suportam a rede LTE no iPhone 5 em página do seu site oficial. Note que o Brasil está fora por dois motivos:

  1. As operadoras ainda não implementaram o LTE aqui. Ele chegará ao longo dos próximos anos, a fim de atender necessidades de uso para dois eventos internacionais: Copa e Olimpíadas;
  2. Mesmo se as operadoras que atuam aqui oferecessem rede LTE, a frequência adotada no Brasil é entre 2.5 GHz e 2.69 GHz (banda 7). O valor é completamente fora do padrão quando comparado aos modelos internacionais. O iPhone 5, por exemplo, não será compatível com o LTE brasileiro dentro deste padrão em nenhumas de suas variações: o modelo GSM A1428 usa a LTE nas bandas 4 e 17; o GSM A1429 usa as frequências 2,1 GHz, 850MHz e 1,6GHz; e o CDMA 1429 atende padrões de LTE japonesas e sul-coreanas, além de Verizon e Sprint, ambas norte-americanas.

Paralelamente aos dois problemas, temos duas futuras soluções:

  1. Como mostra a Folha de S.Paulo, o governo quer acelerar o leilão da frequência de 700MHz no Brasil. Isso significa que nosso país não será diferente dos outros, e smartphones de diversas marcas diferentes (inclui o iPhone, da Apple) serão compatíveis com o sinal de LTE brasileiro. Estima-se que o modelo de licitação arrecadará, provavelmente, cerca de R$40 bilhões para o governo. Lembre-se das aulas de Física do Ensino Médio: uma frequência menor implica alcance maior, já que ondas de 700MHz penetram melhor em ambientes fechados. Isso é bom para gente, já que tudo é válido para lutar contra as péssimas instalações das operadoras que atuam nas terras tupiniquins.
  2. A Qualcomm apresentou no dia 21 de fevereiro um chip novo: RF360, como mostra o Engadget. Acreditem, ele é mágico. Mais fino, mais leve, mais econômico, mais estável, melhor captura de sinal e melhor rendimento (menor dissipação de calor). A mais nova invenção terá suporte a 40 bandas, inclusive a banda 7. Opa… volte para o começo da matéria: banda 7, 2.5GHz? É esse o padrão atual brasileiro! Resta-nos aguardar, já que é bastante provável que futuros smartphones (incluindo o iPhone) usem o RF360, ou soluções similares.

Programador, blogueiro, estudante de Engenharia de Computação. Em busca de deixar sua marquinha no universo.

  • Nomenome

    Só uma correção: se ele dissipasse menos calor, ele esquentaria mais, você escreveu que ele dissipa menos calor e portanto fica menos quente, o certo é o contrario 🙂

    • Acho que não errei, ou não entendi seu ponto. Ele dissipa menos calor porque seu rendimento é maior. Dissipar é desperdiçar, e acontece com todo sistema: os equipamentos esquentam porque nenhuma máquina tem rendimento de 100%. Se ele dissipasse muito calor, esquentaria demais (não só o chip, mas o ambiente inteiro). Entendeu o ponto então? Caso quem não tenha entendido fui eu, sinta-se à vontade para expor melhor sua ideia! 😉

      Um abraço!

      • André, entendi o ponto de vista do Nomenome. Na verdade é exatamente como ele disse. Dissipar calor é capacidade de liberar calor para o ambiente. Pelo que entendi da reportagem, o novo chip tem melhor performance e assim gera menos calor, assim propagando menos calor para o ambiente, mas pode ser que ele tenha a mesma dissipação de calor do anterior.

        Um exemplo bom é trocar o cooler do PC, por um de cobre. O processador gera o calor, ai o cooler dissipa mais ou menos, dependendo do material.

        Mas de qualquer forma, da pra entender perfeitamente o texto.

        • Ah, entendi. Mas se ele já produz menos calor (e mesmo que a capacidade de liberar calor permanecesse constante), não dá pra concluir que ele dissipa menos calor, também?

          P.S: vocês estão confundindo meu cérebro, hahaha. 😛

          • Carlos

            Porque em vez de dissipar voce não escreve produz?? (produz menos calor) pronto!

          • Andre escreveu certo, estamos falando da quantidade de calor que o chip dissipa, ou seja o quanto ele desperdiça energia na forma de calor, quanto menos eficiente o semicondutor, mais enegia é perdida e dissipada em forma de calor.

            Se estivéssemos falando de um sistema de refrigeração o @Nomenome estaria certo. A funçao de um Dissipador+Cooler é fazer a troca de calor entre o chip e o ambiente. ex: quanto menos calor é dissipado pelo cooler, menos calor será trocado, e mais calor se acumula-rá no chip.

            Em outras palavras o artigo está correto!

  • A segunda solução é muito provável de acontecer, e a mais esperada, claro. Afinal, o iPhone já utiliza chips da Qualcomm, o que significa que a próxima geração deve vir com um modelo universal para todas as bandas, inclusive a brasileira.

  • bruno

    o iphone 5 sera compativel eh soh aguardarmos uma atualizacao do IOS…

  • Luka

    Olha, nao adianta NADA esse LTE com os atuais planos disponiveis por essas operadoras que prestam "serviços" no BR…. Planos de dados ILIMITADOS mas que sao LIMITADOS na verdade… 300 , 500 mb , 1, 2 , 5 gb,,,, pra depois a velocidade cair ….
    O que temos que ter eh um plano realmente ilimitado de dados 3G, pra deeepois pensar em LTE

  • Marcelo

    Parabéns pela matéria André!

  • Sou a favor do RF360, bom para o Brasil e os outros países e bom para os smartphones. E com a corrupção de hoje em dia, tenho certeza que parte do dinheiro do leilão seria destinado nos bolsos de quem manda.