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Um iPhone no vestibular

Quem me dera poder usar meu celular durante alguma prova, e, mesmo que eu não tenha mais um iPhone, mas contendo um com internet, dava uma boa ajuda. Mas todo mundo sabe que, ao entrar numa sala para fazer uma prova, seja uma prova escolar, de vestibular ou concurso público, você é mais que obrigado a desligar o celular antes de começar a prova, e, às vezes, quando o professor é exigente, até em aulas há este pedido. Hoje, no Enem, um iPhone pode ter sido dor de cabeça para muitas pessoas.

iphone

Fiz o Enem e, ao entrar na sala, um fiscal me colocou em uma fila, mesmo eu sendo primeiro. Pediu meu RG, a carta do Enem, uma assinatura e me ofereceu um saquinho. O saquinho que eu falo é aquele clássico saquinho cinza no qual você guarda todos os eletrônicos que podem ou não te ceder informações que poderia te beneficiar na prova. Resumindo: o que não pode ser visto e utilizado na prova, você deve colocar ali.

Na mesma hora que o fiscal estendeu o braço com um saquinho, pediu meu celular. Em primeiro lugar, joguei no saco um celular que uso com uma segunda linha, e lógico, retirei a bateria, como pedia o edital. Depois, peguei meu iPod Nano e joguei lá dentro, com a pergunta se havia alguma conexão com internet ou se emitia algum som, e a resposta foi não. Depois, meu RAZR i que tem o mesmo esquema do iPhone. Ambos não removem a bateria, e ambos tiveram o mesmo problema no Brasil inteiro.

Acaba que isto sempre desencadeia uma boa discussão. Um iPod, minúsculo, é óbvio que não teríamos nada prejudicial, mas um celular é demais e todos sabem que hoje em dia, com um celular, com mais um pouco, você faz tudo e mais um pouco o que um computador pode fazer, mas claro, com suas devidas limitações. Houve uma enorme persistência pedindo para que eu retirasse a bateria, e neguei, mas não encerrou a preocupação do rapaz. Por fim, consegui convencê-lo que se eu desligar, nenhum som é emitido, e ainda fui defendido pela outra fiscal que ali estava presente.

Neste caso, a dupla era bem jovem, o que facilita, mas no ano passado, com uma dupla bem mais idosa — sem preconceito com a idade, mas foi um fato real –, encontrei uma pequena dificuldade para convencer que não era possível, e isto com um iPod touch. Não sei de fato como é dado as instruções na questão de celulares para quem aplica a prova, mas parece que não lembram tanto que existem aparelhos em que não há a possibilidade de retirar a bateria, quanto mais retirar um SIM (chip) sem uma agulha que caiba num buraco minúsculo.

Infelizmente, esta é uma prova que decide o futuro de muitos jovens, e não somente eles, como também adultos. Tinha participantes de todas as idades e aparelhos de todos os sistemas e finalidades. Só espero que deem uma atenção especial a este caso, e principalmente, adicionem uma cláusula no edital para aparelhos com a impossibilidade de remover baterias. Sei que não tem jeito, mas não custa nada dar uma reforçada e mostrar que se preocupa um pouco.