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Análise: Nintendo abandona o Brasil

Parece ser um eterno déjà vu, você viaja para o exterior ou simplesmente abre um site de vendas gringo, procura por alguns eletrônicos conhecidos e se depara com uma disparidade enorme entre os preços da terra do tio Sam e tupiniquins. É com cada eletrônico vendido no Brasil que isto acontece, uns porém mais do que outros.

Enquanto muitas empresas no ramo de jogos vivem tempos favoráveis, saiu ontem, 09/01, a notícia de abandono da produtora de jogos Nintendo pelas operações de importação no Brasil. 

Bill van Zyl, diretor e gerente geral para América Latina da Nintendo of America, disse:

O Brasil é um mercado importante para a Nintendo e lar de muitos fãs apaixonados mas, infelizmente, desafios no ambiente local de negócios fizeram nosso modelo de distribuição atual no país insustentável.

Estes desafios incluem as altas tarifas sobre importação que se aplicam ao nosso setor e a nossa decisão de não ter uma operação de fabricação local. Trabalhando junto com a Juegos de Video Latinoamérica, iremos monitorar a evolução do ambiente de negócios e avaliar a melhor maneira de servir nossos fãs brasileiros no futuro.

Dentre outros fatores como a perda de público ao longo do anos talvez por falta de jogos compartilhados com outras plataformas, a Big N não pôde competir também com a alta do dólar nos últimos tempos.

Para a importação de qualquer produto, empresas e importadoras fecham operações com o dólar ao preço do dia, porém este preço está ficando mais alto a cada semana, o está fazendo com que empresas aumentem mais os preços de seus produtos ou percam sua (geralmente boa) margem de lucro. Não é diferente com a Apple.

Você mesmo já leu aqui no iPS que a Apple huehue BR subiu os preços de alguns produtos no primeiro dia de janeiro. Não podemos dizer porém que tal aumento foi leviano, ou vocês não lembram que após constantes aumentos de preço para manter sua gorda margem de lucro, a Apple abandonou a Russia por conta também dos consecutivos aumentos do dólar? Uma coisa leva a outra. Sendo a empresa com o porte que é, a Apple delimita uma margem de lucro boa para seus produtos, mas se fatores locais fazem os preços aumentarem, a empresa também não hesita em aumentar.

NEVER SAY NEVER

Se a Apple sairá algum dia do Brasil? Em um comparativo com a Nintendo, a empresa está mais bem estruturada e não demostra intenções de abandono. A situação com a Big N não deixa de ser um alerta a outras empresas e ao próprio governo brasileiro sobre as altas tarifas de importação.

Não é fácil de ver uma empresa de nome como a Nintendo entrar e abandonar um país que é nada menos que um dos cinco maiores mercados gamers no mundo. Relatos também dizem que a empresa não estava se esforçando muito para entrar no mercado brasileiro, atrasando lançamentos como Super Smash Bros para Wii U, deixando fãs já insatisfeitos. Mas vamos ansiosamente aguardar seu retorno e esperar que outras empresas não tomem o mesmo rumo.