Press "Enter" to skip to content

Nomeação do iPhone: quando o simples fica complicado

iphone4s_box

Ken Segall trabalhou diretamente com Steve Jobs na Apple e NexT, prestando consultoria de marketing para a Apple. Ele foi um dos escritores da campanha “Think Different”. Desde então, teve forte influência em nomes dos produtos “cupertinianos”: primeiro com o iMac, depois com a consolidação do “i” antes dos nomes de produtos. iPhone, iPod, iPad, iBook [o notebook antigo, não o app iBooks, okay?], iLife e iWork são apenas alguns exemplos. Ken, referência no meio de marketing, é autor do livro “Insanamente simples: a obsessão que impulsiona o sucesso da Apple”. Mas… por que ele ganha destaque em uma matéria aqui no iPS? Achamos uma matéria recente publicada por ele muitíssimo interessante: “iPhone naming: when simple gets complicated”. Segue abaixo a tradução feita por nós, autorizada pelo próprio Ken:

. . .

Quando a Apple anunciou o iPad 3 como “o novo iPad” – removendo o número – deu a seus observadores algo novo para ponderar. O futuro iPhone 5 seria apenas “o novo iPhone”? A convenção de nomeação da Apple seria finalmente aplicada igualmente a todas as linhas de produto? A resposta, logo descobrimos, foi “não”. O novo iPhone obstinadamente manteve seu número – mesmo que o iPod, iMac, Mac Pro, MacBook Air e MacBook Pro já vivessem em um mundo onde números são excesso de bagagem. Mas, naturalmente, havia um bom motivo.

O iPhone é vendido diferentemente. Já que dois modelos anteriores ainda estão disponíveis quando um novo modelo é lançado, o número é necessário para distinguir um do outro. Considere isso um mau necessário.

Mas uma vez que você aceita que modelos de iPhone não podem existir sem um identificador de modelo, a pergunta torna-se: o que deveria ser tal identificador?

A imprensa já apelidou o modelo deste ano “iPhone 5S.” A maior parte dos especialistas vê a narrativa na qual a Apple apenas produz uma atualização importante a cada dois anos, e entre esse período nós temos o modelo “S”. Esse é o modelo que apenas introduz melhorias incrementais.

Não se sabe se essa é realmente a mensagem que a Apple quer passar, mas, pessoalmente, eu gostaria que a Apple nunca tivesse criado um “4S”. Antes de tudo, soa estranho quando você fala ou lê. Os designers da Apple tentaram seu melhor com os gráficos do produto, mas é uma realidade inescapável: 4S nunca vai ser tão simples quanto 4.

Mais importante, aderir um S ao número de um modelo existente envia uma mensagem bastante fraca. É como dizer que esse é o nosso produto “off-year”, apenas com melhorias modestas. Se adiar a grande mudança no número deveria trazer ótimos resultados, eu penso de outra forma. Olhe o que aconteceu com o iPhone 5. Esse modelo trouxe mudanças maiores: tela maior, câmera melhor, ótima velocidade, tudo em uma carcaça mais fina e mais leve. No entanto, suas melhorias foram destituídas por muitos como “incrementais”. De fato, a falta de inovação no iPhone 5 (merecida ou não) foi o que levou muitos a começarem a escrever sobre a Samsung como a “nova líder de inovação”.

E então.. usar designações em números números ou com o sufixo “S”?

O caminho mais simples é dar a cada iPhone um novo número e deixar as melhorias falarem por elas mesmas. Se alguém quer dizer que o 7 não deu um salto tão grande quanto o 6, é problema dele. Tentar calibrar o “grau de inovação” no nome do produto parece ser algo desnecessário (e auto-decrescente).

Acho que é seguro dizer que se você está procurando por um carro novo, você está procurando por um modelo 2013 – não um 2012S. O que é importante é que você pegue o último e o melhor.

Meu voto (inexpressivo) é que o próximo iPhone deve ser batizado iPhone 6, não iPhone 5S. Se ele é digno de ser um modelo novo, é digno de ter o seu próprio número.

A Apple tem um histórico impressionante na nomeação de produtos, e a clareza sempre desempenhou um papel muito importente.

Eu não sei exatamente o que o “S” deve significar. Mas tenho certeza de que 6 é melhor que 5.

. . .

Acesse a matéria original aqui [em inglês].