lumia iphone e1345639108360 O Design Pós Industrial e a Visão da Nokia sobre a Apple

É bem conhecida a história da Nokia, empresa que um dia já foi líder no mercado de telefones celulares e que perdeu a coroa faz um tempo. Nos últimos tempos, a companhia tem apostado suas fichas no Windows Phone como tentativa de reconquistar o trono.

Recentemente, a revista americana Wired, postou uma notícia cujo título era: “Visionário da Nokia quer bater o Design da Apple”. A curiosidade foi instantânea sobre o que aquela matéria teria a me dizer.

Julgo extremamente interessante entendermos o que o mercado está preparando para competir com a nossa Maçã já que a melhor forma de combater um inimigo é conhecendo-o.

Wired é uma conceituada revista de tecnologia dos Estados Unidos, responsável por render grandes elogios a Apple e ser grande parceira no que diz respeito a sua fé nas estratégias da companhia. Ela foi a primeira revista interativa liberada para o iPad e geralmente é citada em Keynotes pelos seus reviews.

Nessa notícia, irei traduzir a entrevista da Wired com Marko Ahtisaari, chefe de design da Nokia e deixo aos comentários a discussão sobre a matéria. Como bem disse o promotor da Apple no julgamento de patentes com a Samsung: “Nem todo telefone precisa parecer um iPhone”.

 

 O Design Pós Industrial e a Visão da Nokia sobre a Apple

Matéria traduzida de Wired.com

(Título original: Nokia’s Visionary Wants to Out-Design Apple – Autor: Steven Levy)

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Marko Ahtisaari, chefe do estúdio de design da Nokia. Foto: nomadig/Flickr

Marko Ahtisaari desenha vários modelos do novo smartphone da Nokia com a autoconfiança de um vendedor de diamantes Tiffany. Temos algumas semanas antes do lançamento do Lumia 920 — o carro-chefe da Nokia para a plataforma do Windows 8, um produto crucial para ambas as empresas — e o chefe de design da Nokia veio a Nova Iorque para revelar sua opinião sobre o tão faladoevento de hoje. [No contexto, o evento de demonstração dos novos Lumias]

Lá estão elas, barras de poímeros brilhantemente coloridos com uma tela arrojada de Gorila Glass 4.7 polegadas. Belos para ser preciso. Ahtisaari, quem encabeça o estúdio de design da Nokia, pega um amarelo canário. Os outros são preto, vermelho brilhoso e cinza fosco. Seu rosto é todo o negócio, mas suas impressões digitais acariciam a superfície como amantes.

“Nossos produtos são humanos”, ele diz. “Eles são naturais. Nunca são frios. Isto é parcialmente conseguido pela cor, mas também por como eles são sentidos em mãos. Essa aparência é menos parecida com um produto saído de uma linha de produção em uma fábrica — apesar de vir — do que um produto que nasceu em uma árvore. A melhor forma de dizer isso é que é pós-industrial.”

Ahtisaari  eventualmente assinala algumas outras características que ele espera trazer consumidores aos celulares Nokia. Sistema Windows 8, certamente, com seus tiles de atividade e status que providenciam informação num piscar de olhos. Aplicações de mapas e localização bem integradas, incluindo uma camada de realidade aumentada chamada City Lens. Carregamento sem fio. Tecnologia NFC, ainda não usada para pagamentos, mas rápidas e confiáveis conexões para atividades como fazer streaming de música para uma caixa de som.

Mas tudo isso, ele diz, faz parte de uma visão geral onde funções avançadas são mescladas com um formato inesquecível – forma pós-indrustrial. O sonho,  se não a palavra correta, é bem familiar. O Marketing do celular é direto ao ponto forte da Apple: design.

Eu conheci pela primeira vez Ahtisaari em uma visita a Finlândia na última primavera. Não estava escrevendo sobre a Nokia, mas senti que meu crédito como escritor de tecnologia poderia ser questionado se eu não fosse conferir a assinatura da empresa de eletrônicos do país. Então eu marquei uma visita.

Era uma época interessante para a Nokia, no que diz respeito aquela maldição Chinesa. Depois de vários anos como o notável poder mundial invencível, Nokia estava enfrentando sombrios resultados financeiros, anunciando demissões, e em geral produzindo rumores que soaram a alguns analistas murmúrios de morte. O CEO Stephen Elop, era uma exportação da Microsoft que decidiu juntar o destino da companhia com sua última empregadora, escolhendo o Windows 8 como a plataforma do futuro, e apesar das análises serem sólidas, vendas não foram impressionantes. O destino da companhia parecia dar tristeza a toda a nação.

Eu entrei em no átrio gigante do edifício sede, uma estrutura linda com uma rústica e genuína decoração de madeira. Não podia ter sido uma escolha decorativa mais diferente que a austeridade suave da sede da Sony em Tókio. O luxo descontraído da construção realmente me lembrava do que aquela companhia simbolizou em estilo e negócio a uma nação. A empresa confundiu-se em tempos difíceis.

O ponto alto da minha visita a Nokia foi uma conversa com Ahtisaari, invariavelmente chamado no trabalho como Marko, como Pelé ou Madonna. Um bem articulado de mão cheia — ele lembra algo de David Byrne, mas mais caloroso. Ele entrou em uma sala de conferência com a confiança de alguém que pode fazer julgamentos relâmpagos os quais o permitem mudar seu tom de acordo com sua plateia.

Ele me contou seu histórico. Estudou economia, filosofia e composição musical na Universidade de Columbia, fazendo doutorado e mestrado, e trabalhando como professor por algum período. Era o  tempo de início da internet, e ele tornou-se um pioneiro do web design, começando a consultar no ramo.  Ao mesmo tempo ele estava tocando baixo em lugares caindo no esquecimento como o Knitting Factory. (Em algum momento ele ganhou um Grammy Showcase Award). No início dos anos 2000 ele retornou ao seu país de origem para juntar-se a Nokia, depois deixou-a poucos anos depois para tornar-se um empresário. No final de 2009 ele voltou a Nokia — ela adquiriu a Dopplr, empresa que ele fundou – encabeçando o design.

Qualquer finlandês em um alto cargo em uma conturbada Nokia é cercado de pressão porque a auto estima de todo o país está atrelada ao destino da companhia. “Finandia é uma nação maniacamente depressiva, tanto pelo clima , quando por sua relação com a Nokia”, diz Ahtisaari. “As especulações são grandes, mas meu trabalho é comandar o estúdio — Eu nem leio tanto [sobre os problemas da companhia.]” Mas por questões biográficas, Ahtisaari tem uma medida extra de estresse. Seu pai é, talvez, o político mais famoso do país, um ex-presidente, ganhador do prémio Nobel da Paz de 2008. “Por analogia ,eu sou a Chelsea Clinton da Finlândia,” ele diz. “Mas eu nunca tratei Nokia como parte de um projeto nacional — só como algo para fazer produtos incríveis para pessoas e tornar acessível tecnologia ao redor do mundo. “Quando as coisas tornam-se difíceis, apesar, ele faz o que um finlandês faria e pula em um ‘buraco no gelo”,ele relata. “Se você tem algum algum pensamento tristonho em relação a indústria, você esqueça-os  assim que estiver aqui.”

Sua função de negócio era energizar a cultura de seu time — que estava aparentemente sofrendo do mesmo tipo de falta de direção como o resto da Nokia – e crescer sua importância na compania de uma forma que o design tornou-se o centro de toda, no que diz respeito a produtos, decisão tomada. Enquanto alguns observadores pensaram que Nokia foi deixada para trás na guerra de smartphones, ele questiona a decisão de Elop em juntar o destino da Nokia com a não consolidada plataforma da Microsoft, o Windows Phone. Ahtisaari acreditava que ainda havia muita oportunidade para um retorno.

“Como uma área de produtos, smatphones são quase tão bem revestidos que, as vezes, há um sentimento que a inovação principal no design está quase feita”, ele completa. “Na verdade, nada pode ir mais longe que a verdade.”

A analogia que ele replica é aquela da indústria automobilística. Nos anos 80, ele diz, carros  eram guiados por timões, como lemes em pequenos barcos. Nas outras décadas depois, ideias foras feitas ao mercado e, essencialmente um novo padrão emergiu com os volantes e marchas. “Acho que no meio daquele período,” ele diz.

A Apple oferece um passo para o design, ele explica, com aplicativos e pastas, e o Android é uma variação disso, com múltiplas telas iniciais. E agora há uma terceira opção, envolvendo live tiles (ladrilhos vivos) que fornecem em tempo real, num piscar de olhos, informação sobre as aplicações espreitando no plano de fundo. “É outro acerto solucionando completamente coisas que os smarthpones precisavam fazer,” ele fala.

Pensa na analogia dos carros. Ele pode estar falando que a abordagem do iPhone um dia será tão absurda como um leme em um carro? Como dizem na Finlandia, yikes.

Se a Apple será lembrada dessa forma ou não, Nokia e Ahtisaari em seus esforços para desenvolver uma terceira opção autêntica para smartphones desconcentrou algum controle da Microsoft. Diferentemente da Apple, com sua abordagem “whole-widget” [algo como toda cadeia produtiva], Nokia teve que colaborar com a Microsoft para fazer com que o Windows suavemente se integrasse com os aparelhos.

Um dos primeiros encontros de ambos times de design foi em uma restaurante em Londres. Ahtisaari suspeitava que a parceria entre ambas as companhias iria funcionar porque, assim como ele tinha desenvolvido uma nova filosofia de design de produto para Nokia, o guru de design da Microsoft, Albert Shum (que trabalhou antes na Nike) promoveu uma redefinição com a interface Metro, a qual Ahtisaari considera revolucionária em sua primeira aparição no mundo móvel. Na verdade, parece que a visão de smartphones da Nokia foi separada no nascimento de sua irmã, a filosofia de design Metro. Havia concordância de todos que os ladrilhos vivos do Metro iriam reverberar com com o suave retângulo do corpo de celulares da Nokia. “Foi o mapeamento cara-a-cara,” ele diz.

Os dois times embarcaram em um processo de design co-evolucionário. Schum disse: “Trabalhamos juntos como mateiga de amendoim e geleia”. Além disso, ele acrescenta, “se você é um design geek, você aprecia a trdução da Filnândia e da Nokia.” Quando questionado a descrever a fusão de linguagem de design que estabeleceram, Shum parece ter consultado o mesmo dicionário que Ahtisaari — o mesmo que provavelmente esteve no estúdio de design Apple por anos. “Honesto, autêntico, familiar, acessível,” ele fala. “Quente. Encantador.”

Como exemplo da forma que os dois times trabalharam juntos é o código de cores que era refletido tanto no software quanto no hardware. Ahtisaari é um fanático por cor. Microsoft assegurou que as cores que a Nokia escolhesse seriam replicadas na tela do usuário. “Nos gastamos muito tempo acertando as cores,” diz Shum. “Por exemplo, o texto destacado em um email é da mesma cor que o pigmento do telefone. Dá muito trabalho fazer isso — não precisa só casar, tem que ser legível.”

Agora, restam as críticas, apesar de ainda não estar a venda. Mas Ahtissari já recebeu uma análise do seu trabalho que o agrada imensamente. No último mês, no julgamento de patentes Apple-Samsung, o procurador da Apple aprovadamente segurou um Nokia Lumia — o pré-Windows 8 antecessor ao 920 — e disse, “Nem todo smartphone precisa parecer com um iPhone.” Ahtisaari não poderia concordar mais.

“Nada mais parece com ele em uma loja de telefones”, ele relata sobre o 920. “É bem, bem, bem orgânico. É quase super-orgânico a forma em que ele é esculpido e afinado ao final, suas costas em formato de almofada. E como sua tela Gorilla Glass 2D esculpida flui de forma bela do corpo. “Nós montamos como colocando um navio em uma garrafa, essencialmente colocando tudo no seu lugar.”

Ele acredita, e afeiçoa-se a um produto impressionante. Mas certamente, Ahtisaari sabe que por focar em design, ele está entrando no grandioso império de design da Apple. E ele não pode esquecer  que assim como a Apple é a empresa mais valiosa do mundo, a Nokia está lutando por sua vida. Mas, se Ahtisaari está intimidado, ele não demonstra. Questionado sobre a Apple, ele diz, “A melhor maneira que você pode mostrar respeito pela concorrência é fazendo algo significativamente melhor.” E se tudo der errado, sempre há aquele buraco no gelo.

5 respostas para O Design Pós-Industrial e a Visão da Nokia sobre a Apple

  1. iMark disse:

    Parabéns pelo post! Muito bacana!

    Abração

  2. Joao Luiz Gomes disse:

    O Lumia 920 é simplesmente lindo. Se viesse com o iOS entao, seria perfeito, melhor que o iPhone 5

  3. brazlocateli disse:

    Ousada a Nokia é, procurem por Nokia N93 (o primeiro smartphone com zoom óptico que eu saiba), o bicho é quase um origami.
    Simples ela nunca foi, esta sendo agora, começou com o N8…

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